Fortalezas

Vamos pensar no seguinte: a imagem de uma fortaleza, um lugar onde é muito dificil o seu acesso, logo, um local muito isolado. Imagine no alto de uma colina, uma cidadela que se torna símbolo de tudo o que é detestável no poder e na autoridade. Os cidadãos a trairão com o primeiro inimigo que aparecer. Incomunicável e sem informações secretas, a cidadela cai facilmente.
Não construa fortalezas para se proteger, o isolamento é perigoso. Maquiavel argumenta que num sentido estritamente militar, a fortaleza é sempre um erro. Ela se torna um símbolo de isolamento do poder e é um alvo fácil para os inimigos do seu construtor. Projetada para defender você, a fortaleza na verdade o isola de todo tipo de ajuda e tolhe sua flexibilidade. 
Ela pode parecer inexpugnável, mas depois que se enfiou lá dentro todos sabem onde você está; e não é preciso ter exito num cerco para transformar sua fortaleza numa prisão. Com seus pequenos espaços e confinados, as fortalezas são extremamentes vulneráveis à peste e doenças contagiosas. Do ponto de vista estratégico, o isolamento de uma fortaleza não oferece proteção e cria mais problemas do que soluções.
Como os seres humanos são criaturas sociais por natureza, o poder depende da interação social e circulação. Para a maioria das pessoas, o perigo surge quando elas se sentem ameaçadas. Nessas ocasiões, elas tendem a se retrair e buscar segurança em algum tipo de fortaleza. Ao fazer isso, entretanto, elas passam a depender das informações de um circulo cada vez menor e perdem a perspectiva do que ocorre ao redor. Elas perdem a capacidade de manobra, se tornam alvos fáceis e o isolamento as torna paranóicas. Como na guerra e na maioria dos jogos estratégicos, o isolamento quase sempre precede a derrota e a morte. 
Nos momentos de incerteza e perigo, você precisa lutar contra este desejo de se voltar para dentro. Em vez disso, torne-se mais acessível, busque antigos e novos aliados, force sua entrada em círculos mais numerosos e diferentes. Este tem sido o truque das pessoas poderosas por séculos.
Segue-se daí que as artes sociais, que nos tornam companhias agradáveis, só podem ser praticadas pela constante exposição e circulação. Quanto mais você está em contato com os outros, mais gracioso e a vontade se torna. O isolamento, por sua vez, gera uma estranheza nos seus gestos que leva a um isolamento ainda maior quando as pessoas passam a evitar você.
Você precisa ser permeável, capaz de entrar e sair de círculos diferentes e misturar-se com diferentes tipos de pessoas. É essa mobilidade e contato social que o protegerão de conspiradores, que não conseguirão esconder de você os seus segredos, e de inimigos, que não conseguirão isolá-lo dos seus aliados. Sempre mudando, você se mistura nos quartos do palácio, sem se sentar ou descansar num único lugar. Não há caçador capaz de acertar a mira sobre uma criatura tão ligeira.
A multidão sempre vai servir de escudo contra seus inimigos.
(Texto de Robert Greene)

Resolvi compartilhar com vocês este texto por achar bem interessante. Geralmente eu escrevo meus textos, (a não ser quando comento sobre algo que alguém escreveu), mas este eu copiei literalmente. Realmente precisamos um dos outros para seguir adiante e atingir nossos objetivos. Aquele que se isola em seu meio se expõe mais a perigos do que o protege deles. É um texto para pensar e analisar, principalmente quando se trabalha em equipe.

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